- REFLEXÃO
Vivemos tempos em que a fé cristã corre o sério risco de ser reduzida a discurso, performance e conveniência. Em muitos contextos, o Evangelho tem sido moldado para agradar plateias, atender expectativas humanas e se adaptar aos ventos culturais do momento. No entanto, a fé bíblica nunca foi confortável, nem superficial. Ela sempre exigiu profundidade, compromisso e transformação genuína.
Ao olharmos para a história da Igreja, especialmente para a Igreja Primitiva, percebemos que seguir a Cristo significava risco, renúncia e entrega total. Não havia espaço para um cristianismo de aparência. A fé era vivida no cotidiano, nas perseguições, nas perdas e, sobretudo, na fidelidade a Cristo acima de tudo. Crer era mais do que professar; era estar disposto a pagar o preço da obediência.
Hoje, porém, observa-se um cenário preocupante. Muitos querem os benefícios da fé, mas poucos estão dispostos a viver seus custos. Há quem busque milagres sem arrependimento, bênçãos sem compromisso e promessas sem cruz. Esse tipo de espiritualidade frágil produz cristãos imaturos, facilmente escandalizados e incapazes de permanecer firmes quando as lutas chegam. Quando a fé não cria raízes profundas, qualquer vento contrário é suficiente para derrubá-la.
A própria Escritura nos alerta que chegariam dias em que muitos não suportariam a sã doutrina, preferindo mestres que falassem aquilo que agrada aos ouvidos. Esse alerta não é apenas profético; é profundamente pastoral. Ele nos chama a uma auto avaliação honesta e necessária: que tipo de fé estamos vivendo? Que Evangelho estamos ensinando? Uma fé que transforma ou apenas conforta?
O chamado de Jesus continua sendo o mesmo: negar a si mesmo, tomar a cruz e segui-lo. Isso envolve disciplina espiritual, compromisso com a verdade bíblica e disposição para permitir que o Evangelho confronte hábitos, mentalidades e escolhas. A Igreja não foi chamada para ser palco de entretenimento, mas testemunha viva do Reino de Deus em um mundo cada vez mais confuso e carente de referências espirituais sólidas.
Mais do que nunca, precisamos resgatar uma fé consistente, enraizada na Palavra, sensível à voz do Espírito Santo e comprometida com a verdade, mesmo quando essa verdade corrige, confronta e exige mudança. O mundo não precisa de uma igreja moldada à cultura, mas de uma igreja que, com amor e firmeza, aponte o caminho da redenção e da esperança.
Que este seja um tempo de retorno ao essencial: Cristo no centro, a Palavra como fundamento e uma fé vivida com profundidade, responsabilidade e coerência. Somente assim a Igreja cumprirá seu verdadeiro papel de luz em meio às trevas e sal em uma geração que perdeu o sabor do que é eterno.
vejaaquiagora...
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